A proximidade da chegada do fenômeno mundial BTS ao Brasil, no final de outubro, tem movimentado o fandom ARMY em torno de projetos a serem executados durante as performances dos shows e também fora delas. Nesse cenário, o Projeto Amygdala promoveu a “Future’s Gonna Be Okay”, arrecadação de fundos para a reforma da sala de musicoterapia do Instituto Autismos, em Brasília, no Distrito Federal.
A iniciativa teve como parceria as fanbases Min Yoongi Brazil e Min Yoongi Team BR e arrecadou R$ 15 mil por meio de doações de diversos fãs e simpatizantes da iniciativa. Foram três meses de movimentação nas redes sociais, iniciadas em junho e finalizadas em setembro.
A sala será rebatizada com o nome Sala Min Yoongi, mas não recebeu esse nome por acaso. Mais conhecido como SUGA, o rapper é um dos sete integrantes do boygroup sul-coreano e já realizou doações milionárias para a criação de um centro de tratamento e apoio para pessoas com autismo, denominado Min Yoongi Treatment Center, em um hospital na Coreia do Sul. A atuação do artista também foi além da contribuição financeira, pois englobou aulas de guitarra para os pacientes e participação da elaboração de um manual clínico.
O que está por trás da campanha
A arrecadação para a Sala Min Yoongi teve como principal idealizador o Projeto Amygdala, que promove atendimentos on-line gratuitos e a preços populares para pessoas que buscam acolhimento terapêutico.
Fundado há cerca de um ano por Larissa Paixão, médica com ênfase em psiquiatria, o coletivo tem como inspiração as mensagens do BTS sobre saúde mental. Muitas das composições do grupo abordam sentimentos, dificuldades e acolhimento, especialmente em eras como “The Most Beautiful Moment in Life” e “Love Yourself”, além dos trabalhos solo de SUGA, que passeiam pelas adversidades da vida.
Atualmente, o projeto conta com aproximadamente 50 voluntários, entre profissionais da saúde, da administração, da criação de conteúdo e de outras áreas. Estima-se que cerca de mil pessoas já tenham sido impactadas pelas iniciativas do coletivo, enquanto mais de 670 estão em atendimento ou já passaram pelo processo de acolhimento.
A ideia de arrecadar fundos para a sala de musicoterapia do Instituto Autismos surgiu a partir de uma conversa entre Larissa Paixão e Thayline Peixoto, psicóloga, responsável técnica e administradora do projeto.
“Falamos sobre o desejo de criar um projeto voltado para crianças autistas. Foi então que sugeri o Instituto Autismos, pois eles trabalham com musicoterapia para crianças e adolescentes autistas.”
Thayline Peixoto
Segundo a administradora, a proposta de reforma e criação da sala nasceu após uma reunião com Carol Steinkopf, diretora do instituto.
Hoje fizemos uma visita ao Instituto Autismos, e nossos planos já estão começando a se tornar realidade, graças à ajuda de vocês! Já conseguem imaginar a sala toda roxinha, com a placa “Sala Min Yoongi” na porta? 🥹 Por aqui, já estamos chorando de emoção só de pensar! Obrigada por fazerem parte desse sonho com a gente.
— MYG TEAM BR Ver post
O Instituto Autismos atua desde 2015 no atendimento, na pesquisa e no desenvolvimento de soluções voltadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entre suas iniciativas está o programa Uma Sinfonia Diferente, criado por Carol, que também é musicoterapeuta. A proposta promove o desenvolvimento de crianças e adolescentes autistas por meio de encontros semanais em grupo, com atividades voltadas às habilidades sociais, à linguagem, à comunicação e ao protagonismo dos participantes.
Segundo o próprio instituto, o programa também deu origem ao primeiro musical brasileiro estrelado por pessoas autistas e, segundo o instituto, já atendeu mais de 5 mil pessoas autistas e seus familiares. Nesse contexto, a criação da Sala Min Yoongi amplia a estrutura disponível para atividades de musicoterapia na instituição.
A mobilização em torno da campanha mostra como o envolvimento de fãs pode ultrapassar o ambiente musical e se transformar em ações de impacto social. Inspirados pelas mensagens do BTS sobre saúde mental e acolhimento, os participantes contribuíram para viabilizar um espaço voltado ao desenvolvimento de crianças e adolescentes autistas, aproximando a influência cultural do grupo de uma iniciativa de inclusão.